Eu não gosto do Superman. Todos aqueles super-poderes, toda a invencibilidade, a supremacia americana perante o mundo (sério, só faltava a capa dele ser estrelada pra ser mais #TeamUSA)… e vamos combinar que ter como fraqueza uma pedra que se encontra em cada esquina da cidade natal do cara também não é lá muito empolgante.
Porém, apesar da cara feia pro personagem, fui conferir Os Últimos Dias de Krypton, de Kevin J. Anderson que prometia “uma história nova e arrebatadora […] ao mesmo tempo familiar e surpreendente” (assim diz Marv Wolfman, roteirista e criador de Os novos Titãs e Blade, o caçador de vampiros, na capa traseira do livro). E de fato, fui apresentado a um ponto de vista bem diferente das cuecas por cima da calça, identidade ocultada por óculos de grau e topetinho em espiral.
Anderson conta-nos os derradeiros momentos do planeta Krypton pelo ponto de vista de alguns de seus habitantes mais célebres: Jor-El, renomado cientista fascinado pelo que acontecia no restante do universo; Lara, artista plástica, escritora e historiadora (e certamente você sabe que estes dois são os pais de Kal-El, o Superman); Zod, líder do exército kryptoniano com uma imensa sede de poder; e Zor-El, líder de Argo City, irmão de Jor-El e também com uma veia científica.
Me impressiona no livro a capacidade de pegar detalhes da mitologia do Superman e transformar em trama; de encaixar tão bem personagens famosos e desconhecidos da DC, ainda que não diretamente ligados ao universo tradicional do herói. Me foi bastante agradável conhecer mais profundamente momentos como a destruição de Marte, a captura da cidade de Kandor, e, claro, os últimos dias de Krypton.