Brasil, um país de todos.

post II
Giovana Cabral

Para os Trending Topics vou levar você.

 post II

O brasileiro não quer saber se vai ter Copa, muito menos se não vai ter Copa.

Vai ter ou não, bebê? Hoje é dia.

Brasileiro não quer ser só reaça, quer perguntar sempre por petralha ou tucano direitista em qualquer posto Ipiranga. Brasileiro gosta mesmo de saber quem é que está no Canadá e faz disso um grande museu de frases que precedem a morte.

Brasileiro já imaginou na copa, já soube que hate gonna haters e mandou um beijo no ombro pra qualquer recalque. Brasileiro gritou Bora Bahêa Minha Porra, mesmo torcendo para times de outros estados. Brasileiro é assim: já ficou desgraçado da cabeça esperando um sanduíche-iche, como também tentou se manter cada um no seu quadrado, para nossa breve alegria.

Brasileiro já transformou mamilos em polêmica, mudando para sempre o significado dessa palavra. Brasileiro já pagou Finthy reais por um programa que nunca fez e economizou outros R$300 para comprar uma calça jeans para qualquer jovem brasileira de 16 anos.

Brasileiro já foi pra baleia, inclusive os que não conhecem praia, mar e malemá um aquário.

O Brasil, que dizem ser um país de todos, já acordou o gigante e deu pra ele vinte centavos pela pernoite. Brasileiros, aos montes, disseram que saíram do facebook, mas eu acabei de fazer login e constatei que: ainda tá todo mundo lá.

Brasileiro já cantou Iarnuou e o Michael Jackson nem ficou sabendo dessa gafe. Brasileiro fala inclusive que troca e-mails com ele, mesmo depois da morte do rei do pop. A criatividade do brasileiro às vezes falha.

Ou não.

Brasileiro já deixou bolada uma presidente, já revelou que um palito de dentes pode ser indelicado, fez o chapolin ficar mais sincero que a média. O Willy Wonka foi quem me contou mais sobre isso.

Brasileiro não gosta de cumprimentar ninguém uma só vez. É oi oi oi enfileirado, mas caso não seja chamativo o bastante, pede a bebida que pisca fazendo quadradinho de 8 como marca de território. Se tiver um coreano dançando country a gente imita. Se tiver um harlem shake a gente faz, mas o que que é isso mesmo? Não importa o que seja, porque se não tiver jeito, dialogamos com o Luciano Hulk e pedimos a ajuda dele para qualquer infortúnio. Se o Molejo vir falando que é melhor que Beatles (e é) a gente aceita. Tá na moda.

Este é um brasileiro.

Daquele que pergunta se no céu tem pão às 4h20, porque sim. E não morre no final. E se morrer é porque não sabe de nada. A cada um minuto quatro inocências são identificadas pelo país afora.

E eu falei tudo isso só pra dizer: não é que brasileiro queira alguma coisa específica, o tempo todo. Brasileiro gosta mesmo é de bordão. É coisa de brasileiro, do jeitinho brasileiro. Do brasileiro que há por trás de cada hashtag.

ÊTA , que deselegante. Manda mais referência que tá poco.

Giovana Cabral

Apenas uma "small town girl" com contrações ventriculares prematuras. Blogueira nas horas vagas, cardiopata em tempo integral!
Previous post E aí, vai ter Copa?
Next post Resenha: Draconian