E se eu for eleito?

ChargeTempo25-07-12
Giovana Cabral

“Ih, é ruim eu não gosto de perder.”

 O jogo começou, aperta o start!

Não, não estou falando de nenhum campeonato de games, mas o jogo é antigo e não deixa de ser uma grande competição. São as eleições, meu amigo, que estão bem aí na nossa cara. Este ano, teremos eleições abraçando 5.570 cidades em todo território nacional. Abraçando, beijando crianças, bebendo café com os comentaristas de botequim, jogando santinho com fotos photoshopadas e distribuindo aquela coisa nova chamada promessa. Pode parecer idiotice o que eu vou falar, mas isso certamente pertence a algum manual de instruções para pretensos candidatos. Salvo um ou outro que realmente tentam ir contra a maré, essa fórmula convencional e retrograda parece favorável apenas para quem segue a linha do pão e circo.

Boa parte da abordagem dos políticos é feita de maneira engessada. Se não houvesse um padrão de foto, de sorriso, de slogan, se jingle e um horário eleitoral obrigatório talvez a dinâmica surgisse. O corpo a corpo acontece de maneira mecânica e é por isso que sentimos falta do contato diário com nossos eleitos. Eles sempre começam errado, curvando-se diante de uma falsa ideia de apresentação.

ChargeTempo25-07-12

 

 

Política sempre é um assunto que entorta a cara da maioria das pessoas. Não obstante em ser um tema de difícil penetração, a maioria não faz questão de tentar entender como foi que a palavra se tornou sinônimo de coisa ruim. Imagino que antigamente  era natural definir uma posição quando existiam a “direita e esquerda”. Devia ser mais fácil defender uma bandeira quando as cores eram diferentes. Essas cores representavam ideologias que realmente externavam questões sociais. Hoje, oposição e situação são monocromáticas. Não há distinção que nos norteie. A mudança deveria acontecer se o bem comum fosse o propósito a ser alcançado, mas não. Os interesses de poder e de satisfação financeira se mesclaram, onde todos comungam no mesmo altar, cheiram religião mas não possuem nenhuma crença – como sabiamente disse Mário de Andrade.

E nesse conto quem cai é quem não joga.

Apesar das desgraças, naturais ou não, que já assolaram a política brasileira nos últimos tempos, é hora de continuar olhando pra frente. Veja o debate, dê atenção para quem te prende [verdadeiramente] a atenção por mais de 2 minutos, anote alguns números e procure saber mais sobre os caras por trás deles. Fique reparando se os candidatos forçam a visão para captar a leitura na hora que falam na televisão e não confie em quem tem que ler o que quer aparentar ser. Vote naqueles que se recusaram a mudar de personalidade, que tenham o aperto de mão firme e que sejam simples no diálogo. Se você for forte o bastante para encarar com lucidez mais essa empreitada, isso significa que nem todas as chances de se ter uma boa representação política morreram na praia. Melhor que anular um voto é dar a ele oportunidade de uma nova perspectiva.

Em todo baralho tem um coringa. Será que a gente consegue identificar o coringa da vez?

 

adora horário eleitoral gratuito não porque é eleitoral, mas porque é o programa de humor mais gratuito que existe.

 

Giovana Cabral

Apenas uma "small town girl" com contrações ventriculares prematuras. Blogueira nas horas vagas, cardiopata em tempo integral!
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  • Leandro Freire

    Se a pessoa ficar muito centrada nesse negócio de “direita” e “esquerda” ela se perde, pois isso não existe mais faz uns 20 anos. Tem que ver quem tem capacidade para resolver os problemas. Ou, por acaso, existe a maneira “neoliberal” ou “socialista” de combater as drogas?