O pão nosso de cada dia

Fonte: Google
Giovana Cabral

“Ela vai mudar. Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou.”


Pensou que só ela gostasse de panetone com maionese. Digitou isso em qualquer uma dessas redes sociais que se amparam ou confundem por causa do tom de azul, celeste-royal-lápis-lazúli ou talvez meio que parecida com a cor que tem o céu.

Viu que havia  mais pessoas dispostas a confessar que sim: panetone com maionese era de fato uma iguaria das mais safadamente deliciosas já inventadas. Descobriu que o mundo é cheio de gente com gosto estranho e sentiu certa vontade de provar outras receitas cuja combinação não parecia muito correta.

Mas não só isso. Tirou uma foto do suco de laranja e acerola, tagueou, ganhou uns likes, uns seguidores. Experimentou uma marca nova de cerveja que viu numa busca no Instagram, comentou “cheers” só para brindar de longe com mais apreciadores dessa água benta.

Foi pro Twitter e resolveu arriscar um ou outro palpite sobre a Champios League. Ficou sabendo que existem muitos torcedores de sofá e que seguindo certos perfis poderia ter os links das transmissões, os gifs dos melhores lances e o balanço da rodada. Ficou feliz em saber que não importa o tema, importa é que por esse mesmo caminho também costumam vir as pessoas com quem se pode contar com a companhia numa conversa. Entrou em algumas listas, começou a perder o medo de conversar com gente que nunca viu na vida. Descobriu que desconhecidos podem ser simpáticos, que notícias não precisam estar impressas e que compras no carrinho do e-commerce parecem muito mais leves do que lotar a cestinha da loja mais próxima.

Tinha mais gente online, da mesma cidade inclusive. Marcou um happy hour, naquele bar. Depois um almoço, depois uma caminhada.

Viu que tinha mais gente online ainda, de outras cidades também, com gostos em comum. Saiu de casa, foi viajar, tirou foto em ponto turístico, manteve contado com essa galera.

E, com esses dois grupos, conversou sobre livros, sobre a intensidade do sol da cidade de cada um e sobre a temperatura do ar-condicionado na sala de cada um. Riram de assuntos idiotas, foram compreensivos com os assuntos mais sérios. Ampliaram as afinidades.

Tornaram-se próximos independente de qualquer status ou localização.

E apesar da falta de roteiro e padrão das relações, achou fantástica a ideia da variedade, mesmo que isso não fosse com frequência. E, analisando esse cenário, se deu conta que não era preciso desmerecer nenhuma combinação excêntrica. Aprendeu coisas novas, ensinou também. Perdeu o receio e teve que lidar com os primeiros ataques de ódio.

Entrou em grupos do FB, discutiu o meme da semana, bolou alguns, subiu tag no Trending Topics, recebeu uma cutucada, foi marcada em foto bonita (sim, isso também existe), estava no check-in da festa cujo anfitrião era um desconhecido há alguns meses.

Fez tudo isso on e offline, porque a vida virou extensão do que a gente vive mesmo. E isso não é um pleonasmo. Confesse: vivemos conectados e não temos mais para onde correr. Não é mesmo?

Se você já ouviu alguém dizendo “Não ligo para internet porque estou vivendo a vida real”, não se engane. A pessoa não conseguiu aproveitar a combinação que é equilibrar o melhor do real e do virtual e vice-versa. Pare um pouco mais no dia a dia para lembrar o quanto faz diferença existir essa tal rede de pessoas. Liste motivos e faça um agradecimento sincero. Se quiser um eu tenho aqui: surpreenda-se sempre com o fato de como um pouco mais de R$50 num plano mediano de internet pode render tanta coisa boa.

E rende. Eu sei.
só ganhou até agora. Vocês são prova disso. <3

Giovana Cabral

Apenas uma "small town girl" com contrações ventriculares prematuras. Blogueira nas horas vagas, cardiopata em tempo integral!
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