Gavião Arqueiro: Minha vida como uma arma

Hawkeye
João Gabriel

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Correndo o risco de ser chamado de “marvete”, hoje teremos mais uma breve resenha sobre outro título lançado recentemente pela Panini, da Nova Marvel: O aguardadíssimo primeiro encadernado do Gavião Arqueiro de Matt Fraction(The Immortal Iron Fist, Sex Criminals) e David Aja (The Immortal Iron Fist). Esta fase já foi publicada aqui no Brasil de forma completa num mix mensal que o personagem dividiu com o Capitão América. Mas muitos aguardavam a publicação encadernada desta aclamada fase do personagem. Enfim, a espera acabou!

Apesar de premiada, é bom alinharmos as expectativas aqui: Não espere ver o Gavião Arqueiro dos Vingadores, atirando 3 flechas em alienígenas de uma só vez e de olhos fechados. Aqui vemos justamente o que Clint Barton faz quando NÃO está sendo um Vingador. Não que isso seja um demérito para a revista. Na verdade é o contrário. É justamente essa premissa que torna a HQ tão legal. Apesar de fazer parte de uma grande editora e tratar de um dos personagens mais badalados da atualidade (principalmente depois dos filmes dos Vingadores), Fraction e Aja criam um clima bem “indie”, com flashbacks “tarantinescos”, enquadramento cinematográfico e diálogos precisos como uma flecha.

Eu já falei que TODAS as capas dessa fase são sensacionais?? Pois é...

Eu já falei que TODAS as capas dessa fase são sensacionais?? Pois é…

Outro ponto positivo do roteiro de Matt Fraction é a liberdade da narrativa. Pelo menos inicialmente é muito parecido com o que o Warren Ellis fez com o Cavaleiro da Lua (e que você também pode ver a resenha aqui), com histórias, na maioria das vezes, independentes a cada revista. Claro que podemos perceber uma trama começando a se formar levemente no plano de fundo, principalmente nas duas histórias finais, mas de modo geral as histórias podem ser apreciadas sem grandes vínculos. O que mais chama a atenção é ver Clint Barton interagindo com sua vizinhança, resolvendo problemas locais e salvando cachorros da máfia russa de roupa de ginástica! E acreditem, ao contrário do que pode parecer a primeira vista, tudo isso é mostrado de uma maneira muito interessante. Principalmente pois ele não está sozinho nessa. A partir da segunda história temos a companhia de Kate Bishop, A.K.A Gaviã Arqueira. Sim, ela compartilha o título com Clint Barton e o interessante desta edição encadernada é que ela contém inclusive uma história mais antiga, com os Jovens Vingadores como protagonistas, onde é mostrado o primeiro encontro entre Kate e Clint. A dinâmica entre os dois é muito boa, e só tem a acrescentar ao já excelente roteiro.

E por sensacionais quero dizer, realmente MUITO boas...

E por sensacionais quero dizer, realmente MUITO boas…

Já a arte de David Aja merece uma atenção especial. Aja é além de quadrinista, é um grande designer, e esse seu background faz grande diferença aqui. O redesign do personagem, o estilo minimalista, o enquadramento, tudo parece minuciosamente trabalhado. Destaque para a história onde ele detalha o design de cada flecha especial do Gavião, trazendo um senso de realidade que encaixa muito bem com o clima mais “pé no chão” da narrativa. O enquadramento e estilo minimalistas dão um toque especial para as cenas de ação. Mas falar da arte e citar apenas Aja é um tanto quanto injusto. Isso porque, embora muitos fãs de quadrinhos já perceberam o quanto o papel do colorista é importante para a concepção da obra, neste título essa verdade fica ainda maior. Matt Hollingsworth faz um trabalho excepcional, utilizando uma paleta de cores com foco no roxo (uma das cores primárias do design original do personagem) que traz uma vivacidade ímpar para a arte de Aja. Mas a arte de David Aja não é exclusiva neste encadernado, pois na última história, dividida em duas partes, contamos com a presença de Javier Pulido em seu lugar, que sustenta um estilo muito parecido com Aja e mantém a “linearidade” do estilo da arte da HQ.

Tape

“Gavião Arqueiro: Minha vida como uma arma” é tiro certeiro para quem deseja apreciar quadrinhos de super-herói, mas também gosta de uma pegada mais “indie” e alternativa de HQs. E se você não é muito afeito a super-heróis, tá aí uma ótima oportunidade para tentar algo novo. Mas agora quero saber a opinião de vocês. O que acham dessa fase do Gavião? Gostaram dessa nova abordagem? Alguém já leu a nova fase do personagem pelo Jeff Lemire?

Ficha Técnica

Gavião Arqueiro: Minha Vida Como uma Arma
Lançamento: 2016 (Brasil) / 2012 (EUA)
Editora: Panini Books
Roteiro: Matt Fraction
Arte: David Aja / Javier Pulido
Cores: Matt Hollingsworth
Acabamento:
 Lombada quadrada, capa dura
Miolo:
Formato 17 × 26 cm, papel LWC, 152 páginas (colorido)
Preço de capa: R$ 26,90

 

 

 

 

* João Gabriel é estudante de Letras, aluno-pesquisador de iniciação científica sobre Análise do Discurso em HQs, curioso sobre tudo que envolve a industria cultural, e tem o sonho de um dia poder viver apenas como educador, fomentando a leitura crítica de obras da cultura pop em geral (mas por enquanto paga suas contas trabalhando com TI mesmo).
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João Gabriel

João Gabriel é estudante de Letras, pesquisador iniciante sobre Análise do Discurso em HQs, curioso sobre tudo que envolve a industria cultural, e tem o sonho de um dia poder viver apenas como educador, fomentando a leitura crítica de obras da cultura pop em geral (mas por enquanto paga suas contas trabalhando com TI mesmo).
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