Lanterna Verde N°37 – Guerra dos Deuses

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João Gabriel

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Confesso que eu não tenho o costume de acompanhar muitas revistas mensais. O principal fator é que, como a história está ainda em desenvolvimento, não há garantia nenhuma de qualidade. E mesmo existindo a possibilidade de acompanhar a narrativa por partes, pode ocorrer de a história ter um ótimo começo e uma péssima finalização, ou vice e versa. Claro que existem exceções. Na revista do Miracleman, por exemplo, está sendo (re)contada uma história clássica de Alan Moore, que embora eu não tenha tido a possibilidade de lê-la anteriormente, possui vários atestados de qualidade por aí. Mas normalmente o que sai em formato mensal são histórias inéditas, e você precisa de certa dose de esperança de que o tempo e dinheiro investidos não serão em vão.

Mesmo com todos estes poréns, resolvi comprar o número 37 da revista do Lanterna Verde (Novos 52). Ela marca o início da saga Guerra dos Deuses (Godhead no original), onde a tropa dos lanternas verdes (e os lanternas de todas as cores) precisarão unir forças contra adversários muito além de qualquer ameaça que já enfrentaram… Os Novos Deuses!

Alguém me explica como que juntando sete anéis vc cria uma EQUAÇÃO? Deviam ter me dito isso antes, quando estava tentando passar em cálculo na faculdade...

Alguém me explica como que juntando sete anéis vc cria uma EQUAÇÃO? Deviam ter me dito isso antes, quando estava tentando passar em cálculo na faculdade…

Sim, foi esta premissa que me fez comprar o começo desta saga, devido a alguns fatores. Primeiro porque dentre todas as revistas mensais da DC, as que permeiam o universo dos lanternas são, normalmente, as mais bem sucedidas no quesito de sagas e grandes eventos. Isso se dê talvez pela própria temática da série, por se tratar de “patrulheiros espaciais”, fica mais fácil a criação de novas histórias, até porque a fonte de inspiração mais direta (ficção científica e space opera) é muito diversa e dá margem para inúmeras histórias.

Nesta mensal temos as duas primeiras partes da saga. Na primeira temos nas páginas iniciais um resumo da origem dos Novos Deuses, a guerra entre Nova Gênese e Apokolips, o antagonismo de Darkseid e a apresentação dos principais personagens do Quarto Mundo, como idealizados por Jack Kirby (com ligeiras reformulações para se encaixar na cronologia dos Novos 52). Então a narrativa se desenvolve mostrando a descoberta, pelos Novos Deuses, de que os anéis coloridos dos lanternas, quando combinado as sete cores do espectro luminoso, criam a chave para a destruição definitiva de Darkseid, ou seja, a equação da vida. Eles então partem em busca de um exemplar de cada anel para entregar ao Pai Celestial, o líder dos Novos Deuses. Porém, a tropa dos Lanternas Verdes está passando por uma fase difícil, pois em sagas anteriores tiveram seus líderes (os Guardiões) se voltando contra eles próprios, lutaram contra um ser mais antigo que o universo e perderam vários integrantes de suas fileiras e um de seus mais importantes aliados: Kyle Rayner, que a algum tempo atrás havia se tornado um Lanterna Branco, um ser de extremo poder.

Kyle Rayner, John Stewart, Hal Jordan... velhacos sentirão falta do Guy Gardner!!

Kyle Rayner, John Stewart, Hal Jordan… velhacos sentirão falta de Guy Gardner!!

As minhas impressões sobre este início de saga: Estava muito empolgado pela presença dos Novos Deuses e toda essa mitologia criada pelo gênio de Kirby durante a sua estadia na DC. Mas… não é uma história de Jack Kirby (obviamente!). E não estou dizendo como um demérito, apenas como uma constatação da qual não me atentei ao adquirir a revista. Estava tão empolgado pela aparição definitiva destes personagens na (já não tão) nova cronologia da DC que me esqueci desse pequeno detalhe. O que ocasionou uma expectativa errada sobre a história. Não me entendam mal, não a achei ruim, só não era o que eu esperava. Aparentemente a história está caminhando para algo mais “massa-véio”, com uma grande diferença entre os poderes dos Novos Deuses e dos Lanternas, o que acaba gerando uma sensação meio Dragon Ball, com inimigos de poderes cósmicos absurdos que precisam ser subjugados, embora não se saiba como. Não achei nada demais nesta primeira edição, mas pretendo continuar acompanhando pois também nada me incomodou e, pelo menos por enquanto, a saga parece bem promissora. É claro que eu poderia saber mais se quisesse, pois este arco de histórias saiu ano passado nos EUA, mas pretendo me manter ignorante sobre e tentar acompanhar as possíveis surpresas (ou não) que esta saga tem a oferecer.

E você, já leu este arco, em inglês? Está acompanhando nas bancas, como eu? Compartilhe aqui em baixo nos comentários sua impressão e opinião sobre a saga.

Ficha Técnica

Lanterna Verde 37 (Novos 52)
Lançamento:
Agosto (2015)
Editora: Panini Comics
Argumento: Van Jensen, Justin Jordan, Robert Venditti, Charles Soule e Cullen Bunn
Roteiro: Van Jensen e Justin Jordan (parte 1) / Robert Venditti (parte 2)
Arte: Ethan Van Sciver, Martin Coccolo, Goran Suozuka, ChrisCross e Pete Woods (parte 1) / Billy Tan, Rob Hunter, Batt e Mark Irwin (parte 2)
Cores: Marcelo Maiolo (parte 1) / Alex Sinclair (parte 2)
Acabamento:
 Lombada Canoa (grampeada), Capa couché
Miolo:
Formato 17 x 26 cm, papel Pisa brite, 84 páginas (colorido)
Preço de capa: R$8,50

 

 

* João Gabriel é estudante de Letras, aluno-pesquisador de iniciação científica sobre Análise do Discurso em HQs, curioso sobre tudo que envolve a industria cultural, e tem o sonho de um dia poder viver apenas como educador, fomentando a leitura crítica de obras da cultura pop em geral (mas por enquanto paga suas contas trabalhando com TI mesmo).
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João Gabriel

João Gabriel é estudante de Letras, pesquisador iniciante sobre Análise do Discurso em HQs, curioso sobre tudo que envolve a industria cultural, e tem o sonho de um dia poder viver apenas como educador, fomentando a leitura crítica de obras da cultura pop em geral (mas por enquanto paga suas contas trabalhando com TI mesmo).