Philip K. Dick surpreende quando nos faz pensar sobre os sentidos da existência em suas obras de ficção. Filósofo disfarçado de literato, o autor nos questiona sobre o real e irreal: Estaríamos simplesmente mergulhadas numa ordem simbólica ou teríamos livre arbítrio? Em Realidades Adaptadas isso não é diferente.
Reunião de contos independentes, Realidades Adaptadas leva o leitor a ter contato com as páginas que foram lidas e inspiraram roteiristas e diretores de Hollywood a realizar filmes como “O Vingador do Futuro”, “Minority Report” e muitos outros. Uma sociedade onde os homicídios podem ser previstos por um órgão da polícia e assim evitados; um sujeito que teve a sua memória apagada e não sabe se o que persegue são lembranças ou implantes de memória.
Além de saber como os contos diferem dos filmes que tiveram boas adaptações (Minority Report), também é possível achar proveito em contos que findaram por resultar em filmes sofríveis (O Vidente). Inevitável não pensar que boas ideias foram desperdiçadas ao ver que bons contos não resultaram todos em filmes tão instigantes quanto os mesmos.
Outro ponto forte do Philip K. Dick é a sua narrativa objetiva que, mesmo sendo desta maneira, não é desprovida de profundidade; é capaz de dar conta de situações complexas sem precisar escrever tratados de inúmeras páginas para fazer-se entender. Leitura leve, rápida e agradável para aqueles que não querem se distanciar da literatura no nosso dia-a-dia corrido, principalmente para os que não têm tempo de se fixar num romance longo, mas não menos reflexiva. O material utilizado na confecção do livro também é bastante apreciável.