Livro estilo Almanaque com colunas escritas por Clarice Lispector nas décadas de 50 e 60 e publicado nos anos 70 com pequenas reflexões e dicas, uma verdadeira conversa entre amigas. Para quem quer conhecer a diva da literatura nacional (e das redes sociais) de forma simples e mais íntima, este Almanaque é uma ótima dica.
“Quem muito agrada, desagrada. Nunca ouvi esse provérbio, acho que inventei agora mesmo. Mas você vai ver se esse provérbio, inventado ou não, não se aplica a pessoas que você conhece: Às que querem agradar a todo o preço. Então tornam-se “encantadoras”. Procuram adivinhar os mínimos desejos dos outros. Procuram elogiar de qualquer modo. Começam também a mostrar que fazem sacrifícios a cada momento. Esse tipo encantador pesa na alma dos outros. Em uma palavra: desagrada. Se a pessoa consegue ser e ficar à vontade, ela deixa os outros serem e ficarem à vontade.
Pode-se Amar Sem Admirar? Pode-se dar amor natural, comum. Poder ter pena da pessoa ou ser fisicamente atraída por ela, e enganar-se pensando que essa reação é amor. Mas para que o amor real exista é preciso que você admire alguma coisa nele ou nela. Theodor Reik acha que o “amor só é possível quando você atribui um valor mais alto à pessoa do que a você, quando você vê nela ou nele uma personalidade que, pelo menos em algum sentido, é superior à sua”.
Eu levo isso tão a sério que sempre me desagrado com excesso de zelo e me apaixono por tudo que admiro.”
Dica de Livro
Só para Mulheres – Clarice Lispector 1975