“Um país onde os chefes políticos são decapitados ao final de seu mandato. O camponês que foi condecorado porque, na guerra, matou os inimigos da pátria, mas recebeu a pena de morte porque, na paz, matou o inimigo da aldeia. O homem que nunca soube dar laço no sapato”.
Italo Calvino escreveu alguns desses contos quando não passava dos vinte anos de idade; um verdadeiro retrato da juventude de uma das mentes mais brilhantes da literatura contemporânea.
Muitas das ficções neste livro possuem poucas páginas (alguns contos com apenas duas), o que nos entrega um poder raro: de colocar em síntese pequenas preciosidades da escrita. Calvino viveu sob a égide do fascismo em seu país, assim como passou por outros momentos políticos conturbados, crises financeiras e crises pessoais que o alimentaram a colocar no papel tudo que lhe fisgava o olhar. Nessa aventura, acabamos nos vendo e percebendo o óbvio que de tão óbvio nos foge a percepção.
Leitura rápida, prazerosa e leve, como quase tudo que Calvino já escreveu.